Fala-se sempre, em todos os meios, desde que mundo é mundo – ou ao menos desde que o conhecemos como tal – que o tempo não perdoa ninguém, e passa muito rápido. Não sei se concordo totalmente com isso, principalmente depois de ter me tornado pai. O trabalho que esse pequeno dá não é pouco, e isso porque ele até que é uma criança tranquila; mas discordo sempre de quem pontifica “Você vai ver como passa rápido… daqui a pouco ele está na faculdade!”.

Não acho não. Acho que chegaremos lá devagar.

O meu amor por ele é grande, enorme, quase doloroso como todo amor verdadeiro, mas não é imune aos dias em que chego em casa cansado e ao invés de um sorriso e um abraço, ganho um “No talking!” – que é uma das maneiras que ele usa para mostrar que também está cansado e talvez inconformado com alguma injustiça no pre-K (a escolinha que ele frequenta todos os dias). Um parenteses. Ele nao fala mais “No talking!”. Comecei este post há meses e ele já mudou. Agora o que ele faz quando não está a fim de falar é simplesmente continuar fixado no Wii e nao olhar pra mim. O que é raro, diga-se de passagem. Normalmente ele diz “Hello Dad!” com uma certa alegria.

Em outros momentos, não posso deixar de lembrar de como eu não queria ter filhos, e como ele me mudou para melhor como ser humano; como eu me enterneço e me orgulho de ver que ele realmente fala duas línguas; que acho o máximo ver que ele tem uma pronúncia perfeita em inglês, o que não é nada demais para quem está crescendo aqui, mas que não deixa de ser bonitinho; que quando ele me fala “Dad… today do they have escolinha?” eu dou risada sozinho ou acompanhado.

Chegaremos lá. Nao será tão rápido, mas chegaremos lá.

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Ontem estive no mercado (Lincolnwood Produce) que a gente chama de “mexicano” mas que na verdade é russo, ou polonês, sei lá, mas que de qualquer maneira tem a melhor variedade de coisas interessantes e com preços baratos aqui perto de casa.

Como sempre exagerei um pouco e comprei montes de coisas boas para cozinhar. Como o dia hoje ficou chuvoso a maior parte do tempo, e frio, acabei cozinhando várias destas coisas. Na maior parte saladas; baixou um espírito vegetariano em mim hoje…

Tabule feito com quinoa ao invés de trigo

Parece um tabule? e é, de certa forma

A primeira coisa que fiz foi uma salada de quinoa (idéia original da nossa amiga Rosa Cline). Já tínhamos comido na casa dela que aliás fica em Lincolnwood, bem perto do já citado mercado. Deveria postar uma receita aqui, mas é super fácil – esta tem a quinoa cozida, cebola ralada, tomate sem sementes, pepino, cebolinha e salsa, temperados com vinagre, azeite, sal e pimenta do reino.

Tirando-se o fato de que a quinoa tem tantas propriedades que a gente acha que só comendo um pouco vai se livrar de tudo que é mal, a coisa é muito saborosa quando temperada assim. É melhor que tabule original.

Outra coisa que me deu vontade de fazer e acabei fazendo é a famosa beterraba da Tia Gilda. Não é nada mais que cubinhos de beterraba cozida temperada com azeite, vinagre, sal e um pouquinho de cebola. E o melhor disso é que com um dia ou dois de geladeira, ficará melhor ainda! Uma delícia.

Picture by Sileide Souza

A deliciosa beterrda que a tia Gilda sempre faz pra mim...

No meio dessa cozinhança, me veio uma idéia: por que não começar a colocar no blog, já que eu não tenho tido tempo de escrever nada mesmo, essas experiências culinárias? E a Si poderia se especializar em fotografar comidas… daí este post. Por incrível que pareça, o último texto que eu estava preparando era no princípio da primavera de 2010 – sim, meus caros, um ano atrás. E mesmo assim este post nunca viu a luz do sol… Mas isso é assunto para outra ocasião.

A última coisa que fiz, no campo dos vegetais, foi um molho Romesco, que eu aprendi hoje mesmo que é da região de Tarragona, na Espanha (ou melhor, na Catalunya…). Esta receita eu tirei de um site em que venho aprendendo algumas comidas novas há tempos, SimplyRecipes.com (link para a receita aqui). Ficou simplesmente uma delícia. É fácil de fazer, pelo menos aqui, onde se acha pimentão assado pronto para comprar em vidros de conserva, com aquele delicioso aroma de pimentões vermelhos que foram realmente assados na brasa… como e’ que se engarrafa um aroma?!?!

Isso, mais tomates, amêndoas torradas, pão, azeite, páprica e alho, além claro de sal, resultaram após passarem pelo processador e por 20 minutos de forno em assadeira rasa neste maravilhoso molho, que depois foi convenientemente colocado num vidro para ir para a geladeira (na verdade, o pouco que sobrou dele). Serve para comer com carnes, com massas, camarões, ou até com pão como se fosse um patê:

Molho romesco, espanhol

Molho romesco, serve para quase tudo!

No nosso caso, comemos com uma fraldinha grelhada apenas no sal, as saladas, pão sírio daquele bem fininho, que meu pai chamava de “pão boina”, e ninguém nem lembrou do arroz…

A gente se sente bem de certa maneira quando come uma refeição mais leve, com quase nada de gordura e feita rapidamente, e junto de quem a gente ama.

Próximo passo: PIZZAS para voltar à forma habitual?