andre


Fala-se sempre, em todos os meios, desde que mundo é mundo – ou ao menos desde que o conhecemos como tal – que o tempo não perdoa ninguém, e passa muito rápido. Não sei se concordo totalmente com isso, principalmente depois de ter me tornado pai. O trabalho que esse pequeno dá não é pouco, e isso porque ele até que é uma criança tranquila; mas discordo sempre de quem pontifica “Você vai ver como passa rápido… daqui a pouco ele está na faculdade!”.

Não acho não. Acho que chegaremos lá devagar.

O meu amor por ele é grande, enorme, quase doloroso como todo amor verdadeiro, mas não é imune aos dias em que chego em casa cansado e ao invés de um sorriso e um abraço, ganho um “No talking!” – que é uma das maneiras que ele usa para mostrar que também está cansado e talvez inconformado com alguma injustiça no pre-K (a escolinha que ele frequenta todos os dias). Um parenteses. Ele nao fala mais “No talking!”. Comecei este post há meses e ele já mudou. Agora o que ele faz quando não está a fim de falar é simplesmente continuar fixado no Wii e nao olhar pra mim. O que é raro, diga-se de passagem. Normalmente ele diz “Hello Dad!” com uma certa alegria.

Em outros momentos, não posso deixar de lembrar de como eu não queria ter filhos, e como ele me mudou para melhor como ser humano; como eu me enterneço e me orgulho de ver que ele realmente fala duas línguas; que acho o máximo ver que ele tem uma pronúncia perfeita em inglês, o que não é nada demais para quem está crescendo aqui, mas que não deixa de ser bonitinho; que quando ele me fala “Dad… today do they have escolinha?” eu dou risada sozinho ou acompanhado.

Chegaremos lá. Nao será tão rápido, mas chegaremos lá.

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Estou em casa, quarta-feira à noite, sozinho com o Andre. Hoje é dia das aulas de pintura da Si, que já mencionei antes, e minha oportunidade (ou, às vezes, castigo…) de ficar com o Andre sozinho. Na verdade é um momento especial – podemos curtir a companhia um do outro de uma maneira que não acontece quando estamos os três. Pena que nos últimos três dias ele tenha estado tão chatinho.

É a idade – se bem que, ao que me lembre, meu pai dizia que a “Idade do Armário” (em que você tranca o filho no armário e só tira depois dos 18) começava só aos 12… e ele está com apenas 2. É incrível o que uma criança deste tamanho pode exigir de você. Algumas coisas são engraçadas, aliás quase todas, se você está de bom humor. Outras te dão vontade de sumir. Benditas as mães… pois tenho certeza que se dependesse dos pais, este mundo estaria muito menos povoado. Eu garanto que não aguentaria o tranco todos os dias. Olha eu morrendo de vontade de colocar um trema no “aguentaria”… eu adorava o trema. Dava um mistério especial ao Português, como as letras estranhas que existem no idioma tcheco.

Sem me sentir mal, mas chegou a hora de que mais gosto: colocá-lo na cama, porque sempre há um abraço especial, a cabeça dele deitada no meu ombro, um bye bye para a mãe ou para a Wendy, na falta daquela… e isso não tem preço… para o resto, bom… vocês já sabem. bed time

PS: acabei de falar no telefone com meu amigo Paulo Anacleto. Nos conhecemos há mais ou menos uns 20 anos, e um dos temas hoje foi o porquê de não termos nos visto tanto como gostaríamos no Brasil. Agora estamos longe, mas o sentimento de que temos um lugar especial na vida um do outro (e da Fati, da Si, dos nossos filhos) só aumentou. O mesmo sentimento que tive conversando com outro Paulo, o Chacon, meu amigo e dentista – será por acaso?? – também há 20 anos. Amigos que ficam para sempre, não importa a distância.