Faz tempo que não encontro o momento certo de postar novamente. Finalmente, com a inspiração de ter um tempinho livre (claro, depois de trabalhar das 4 da tarde às 4 da manhã, por causa do fuso horário), e determinado a não deixar passar o momento único que acontece quando eu entro em contato com um novo país, uma nova cultura, um novo continente, aqui vai. Primeiras impressões de Manila, Filipinas (ou Pilipina, como é o nome oficial do país em tagalog – uma interessante e sonora mistura de espanhol, malaio, inglês e outras línguas faladas na Asia). Nota: na verdade mudaram o nome da língua para Filipino mas como acontece com tanta coisa no Brasil, “não pegou”.

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O meio de transporte mais usado em Manila é também o mais pitoresco – o Jeepney

Esta inclusão de espanhol entre as línguas que enriqueceram o tagalog ao longo dos séculos faz com que a gente entenda coisas que não deveríamos. Ontem por exemplo, no táxi, ouvi em meio a uma enxurrada de pa-po-tal-bla-gu-yoy (já deu para entender que a língua parece composta somente de onomatopeias) quando o locutor disse as horas: “Tres doce”… OK. Esse eu entendi! No elevador, uma senhora disse “yo pa tay PROBLEMA”… OK. Mais uma. Cartaz pregado na parede de uma casa de Malate – “Anang Para Senador”…Em 5 anos estou falando tagalog como um nativo!

Como essa é só a primeira impressão (estou aqui há dois dias e meio), vamos fazer uma listinha de obervações que pude coletar neste tempinho?

1} Nomes pitorescos encontrados em apenas dois dias:

  • Eduardson (Eduardson Ortegson? Não, mas quase…)
sid

Para quem é fã do Sex Pistols…

  • Michael Yecson (para quem fala espanhol fica fácil de entender… “Yecson” = Jackson – bastante criativo!)
  • Ramoncito (esse já nasceu predestinado a ser baixinho)
  • Queen Dantess (Dantess ou Durantess? e Queen lá é nome?)
  • Ram-Ram Diones (vale por dois)
  • Romualdo (nada inovador no Nordeste brasileiro, mas não é curioso que exista aqui?)

E o melhor deles na foto ao lado…

2} O povo filipino é sorridente. Muito sorridente. Sorridente quase que demais. Todo mundo que você encontra sorri antes de falar qualquer coisa. Ainda não encontrei alguém com cara fechada. Faz parte da cultura deles. O serviço então, é quase de irritar. Saímos ontem do restaurante e não só nosso garçom mas todos os outros, do caixa até o guarda de segurança na porta disseram “Thank you!”, “Come again!”, “thank you, boss!” (eles adoram chamar a gente, gringos, de boss. Deve ser herança colonialista misturada com uma pitada de complexo de inferioridade, sei lá).

3} Coisas típicas de país subdesenvolvido (ou seja, que se vê no Brasil, mas não se vê na Europa, Estados Unidos, etc): cachorro de rua, criança de rua. Ambas me cortam o coração. E aqui tem um pouco (até agora ao menos vi uma criança, alguns cachorros, um filhote de gato com alguns meses no aeroporto – o que foi o mais surpreendente para mim). Ahh… tem também vendedores nos sinais, aqueles que vendem os últimos brinquedinhos para crianças made in China, flores para o Valentines Day, chocolates, etc.

4} Uma loja de veículos. Nada demais, certo? Bom, essa era especializada em ambulâncias e caminhões de bombeiro: havia uns 6 ou 7 caminhões, com escadas e tudo; eu olhei e achei que era uma guarnição do Corpo de Bombeiros, mas não era. Assume-se que o poder público aqui deve ser bastante ausente, levando cidades, empresas e sei lá mais quem a comprar os próprios caminhões e ambulâncias por conta…

5} Falando em poder público. Todos os hotéis, shoppings, prédios comerciais tem não só guardas (a maioria armados de 9mm para cima) como detetores de metal nas portas. Não dá para entender muito bem, o país parece bem pacífico. Houve uma explosão em um shopping há anos atrás, nunca confirmada como atentado (há uma boa possibilidade, eu diria maior do que a do atentado, de ter sido causada por uma explosão de gás à-la Copacabana ou Ipanema). Desde então, a segurança virou isso que é meio estranho até para nós, acostumados com a ditadura dos condomínios fechados.

6} E por último, pois chega de informação no primeiro post: o aeroporto de Manila é mais bem preparado que Cumbica. Tem 8 esteiras de bagagem no terminal que eu desembarquei, contra aquelas duas míseras fontes de insatisfação e demora em Guarulhos; o pessoal da imigração é realmente da imigração, não atendentes terceirizadas e descompromissadas como no Brasil (nunca entendi como um país deixa suas fronteiras a cargo de terceiros, sem patente militar ou mesmo compromisso com o próprio governo); o ar condicionado funciona; e acima de tudo, demorei uns 3 minutos para passar pela imigração. Isso porque sou estrangeiro.

É frustrante ver um país muito menor que o Brasil, mais pobre, ser mais preparado para receber turistas e negócios. Mais que isso, as tomadas no hotel sao iguais às americanas, e funcionam também com plugs europeus (eu simplesmente adorei a idéia do Brasil criar um padrao unico, patético, que só existe lá). Os reataurante servem água de graça, como nos Estados Unidos. Os táxis custam uma bagatela (meia hora, no trânsito, gastei 3 dólares com gorgeta) – mas a gasolina custa o mesmo que no Brasil, como um dólar e 60 cents por litro. Por quê? Realmente não dá para entender…

Uma vista da bahia de Manila, e parte de downtown

Uma vista da bahia de Manila, e parte de downtown

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