Fala-se sempre, em todos os meios, desde que mundo é mundo – ou ao menos desde que o conhecemos como tal – que o tempo não perdoa ninguém, e passa muito rápido. Não sei se concordo totalmente com isso, principalmente depois de ter me tornado pai. O trabalho que esse pequeno dá não é pouco, e isso porque ele até que é uma criança tranquila; mas discordo sempre de quem pontifica “Você vai ver como passa rápido… daqui a pouco ele está na faculdade!”.

Não acho não. Acho que chegaremos lá devagar.

O meu amor por ele é grande, enorme, quase doloroso como todo amor verdadeiro, mas não é imune aos dias em que chego em casa cansado e ao invés de um sorriso e um abraço, ganho um “No talking!” – que é uma das maneiras que ele usa para mostrar que também está cansado e talvez inconformado com alguma injustiça no pre-K (a escolinha que ele frequenta todos os dias). Um parenteses. Ele nao fala mais “No talking!”. Comecei este post há meses e ele já mudou. Agora o que ele faz quando não está a fim de falar é simplesmente continuar fixado no Wii e nao olhar pra mim. O que é raro, diga-se de passagem. Normalmente ele diz “Hello Dad!” com uma certa alegria.

Em outros momentos, não posso deixar de lembrar de como eu não queria ter filhos, e como ele me mudou para melhor como ser humano; como eu me enterneço e me orgulho de ver que ele realmente fala duas línguas; que acho o máximo ver que ele tem uma pronúncia perfeita em inglês, o que não é nada demais para quem está crescendo aqui, mas que não deixa de ser bonitinho; que quando ele me fala “Dad… today do they have escolinha?” eu dou risada sozinho ou acompanhado.

Chegaremos lá. Nao será tão rápido, mas chegaremos lá.

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